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Protocolo de Enfermagem |
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Protocolo de Enfermagem da
Assistência ao Pré-Natal de baixo risco do Município |
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Resolução 123/INAMPS incluiu nos serviços públicos a contemplação da mulher como sujeito ativo no cuidado à sua saúde. O programa visou atender a mulher de forma mais sistematizada. Lançado em 1983, após amplos movimentos sociais e políticos decorrentes do restabelecimento pela democracia. |
Teve como metas:
1-Garantir o acesso seguro à maternidade reduzindo a mortalidade materna.
2-Redução da mortalidade por câncer ginecológico (colo uterino e mama).
3-Prevenção das DST/AIDS.
4-Ampliação do leque de opções contraceptivas.
As ações integrais seriam ações de saúde dirigidas para o atendimento global das necessidades desse grupo.
As atividades programadas foram:
1-Assistência clínica ginecológica.
(identificação, diagnóstico e tratamento das patologias, atividade de prevenção do câncer cérvico-uterino e de mama).
2-Assistência
pré-natal.
3-Assistência ao
parto.
4-Assistência ao
puerpério.
Assistência pré-natal:
O Principal objetivo da assistência pré-natal é acolher a mulher desde o início de sua gravidez - período de mudanças físicas e emocionais, que cada gestante vivencia de forma distinta. Essas transformações podem gerar medos, dúvidas, angústias, fantasias ou simplesmente a curiosidade de saber o que acontece no interior de seu corpo (BRASIL, 2000).
O Ministério da Saúde refere que está demonstrado que a adesão das mulheres ao pré-natal está relacionada com a qualidade da assistência prestada pelo serviço e pelos profissionais de saúde, o que, em última análise, será essencial para redução dos elevados índices de mortalidade materna e perinatal verificadas no Brasil.
A equipe então deverá estar preparada para o trabalho educativo. A maioria das questões que emerge em grupos de pré-natal, em geral, relaciona-se aos seguintes temas:
-importância do pré-natal;
-sexualidade;
-orientação higieno-dietética;
-desenvolvimento da gestação;
-modificações corporais e
emocionais;
-sinais e sintomas do parto;
-importância do planejamento
familiar;
-informação acerca dos benefícios
legais que a mãe tem direito;
-impacto e agravos das condições
de trabalho sobre a gestação, parto e puerpério;
-importância da participação do
pai durante a gestação;
-importância do vínculo pai-filho
para o desenvolvimento saudável da criança;
-aleitamento materno;
-preparo psicológico para as mulheres que têm contra-indicação para o aleitamento materno (portadoras de HIV e cardiopatia grave);
-importância das consultas
puerperais;
-cuidados com o recém-nascido;
-importância do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança, e das medidas preventivas (vacinação, higiene e saneamento do meio ambiente).
Em geral a consulta de pré-natal envolve procedimentos bastante simples, podendo o profissional de saúde dedicar-se a executar as demandas da gestante. É importante ressaltar que a Enfermeira tem sido apontada pela Organização Mundial da Saúde, como o profissional melhor preparado para este tipo de atenção (BRIENZA, 2001).
Além disso, de acordo com a lei do exercício profissional da enfermagem, Decreto-lei número 94.406/87, o pré-natal de baixo risco pode ser inteiramente acompanhado pela Enfermeira (BRASIL, 2000).
Protocolo de Enfermagem da Assistência ao Pré-Natal de baixo risco do Município de Ribeirão Preto:
1- a) Atividade da enfermeira:
Recepção - A paciente com atraso menstrual poderá ser agendada com prontuário pelo enfermeiro ou poderá ser recepcionado prontamente, ou agendado pelo sistema Hygia. Este profissional realiza a consulta de enfermagem e o teste de gravidez.
Resultado do teste de gravidez negativo - Repetir se necessário caso persista por sete dias, e/ou aconselhamento contraceptivo. A enfermeira conversará com a paciente, explicando sobre a necessidade de atendimento médico, e nesta ocasião agendará como caso novo na ginecologia se necessário e também fará as orientações conforme as "ansiedades" da mulher.
Resultado de teste de gravidez positivo
1ª consulta de enfermagem
O profissional seguirá roteiro abaixo:
Abrir cartão de gestante;
Observar as relações afetivas da
mulher frente à nova condição de ser gestante, pois pode permitir acender a
um estado de dar à luz a si mesma (SZEJER, 1997);
Orientar quanto à importância do
Pré-Natal;
Preocupações relativas à gestação: primeiros sintomas, desconfortos, sexualidade na gravidez, orientações sociais e trabalhistas e outras ansiedades;
Avaliar situação vacinal,
solicitando carteira de vacina e/ou referenciando para sala de vacina local
ou outras;
Adotar projeto *"Meu bem querer"
(S.M.S.). De acordo com BRASIL, 2000, o Ministério da Saúde preconiza
atendimento odontológico para as gestantes inseridas no pré-natal;
Agendar consulta médica no
pré-natal de 20 a 30 dias da data das solicitações de exames;
Exame das mamas e (tipo de
mamilo, cuidados com as mamas, avaliar experiências anteriores, utilizar o
álbum seriado);
Solicitar os exames laboratoriais protocolados pelo programa: hemograma, tipagem sanguínea, sorologia para lues, urina tipo I, glicemia, toxoplasmose, VDRL, teste anti-HIV na gravidez.
Quanto ao teste anti-HIV na gravidez, deve ser sempre voluntário e acompanhado de aconselhamento pré e pós-teste.
Negativo: se a gestante se enquadrar em um dos critérios de risco (portadora de alguma DST, prática de sexo inseguro, usuária ou parceira de usuário de drogas (injetáveis), o exame deve ser repetido após três meses ou no momento da internação para o parto).
Positivo: a gestante terá indicação do uso de AZT a partir da décima quarta semana, para redução do risco de transmissão vertical, devendo ser encaminhada para o serviço de referência (BRASIL, 2000).
*Projeto Meu Bem Querer - Programa de Assistência à Saúde Oral das Gestantes.
b) Durante o Pré-Natal:
As consultas médicas seguirão protocolo.
Checar o livro registro do
teste de gravidez, objetivando inserção da mulher no pré-natal.
Checar o acompanhamento de
gestantes de risco que forem referenciadas.
Captar gestantes não inscritas
no pré-natal, através do Programa de Saúde da família e Programa de Agente
Comunitário.
Reconduzir gestantes faltosas
ao pré-natal, especialmente as de alto risco, uma vez que podem surgir
complicações.
Completar o trabalho educativo
com a gestante e seu grupo familiar.
Orientação quanto ao papel do
auxiliar de enfermagem no acolhimento (ganho de peso, pressão arterial,
higiene, vestuário, saúde bucal, vínculo ACS e família). Discutir com a
enfermeira sempre que necessário bem como toda a equipe.
Avaliar paralelo as anotações
referentes, à questão da obesidade e seus riscos.
Agendamento com a enfermeira antes de encaminhar para o Projeto Nascer. De acordo com o Ministério da Saúde, acompanhar a evolução de alguns aspectos da gestação, segundo orientação da unidade de saúde, nos casos em que o deslocamento da gestante à unidade, em determinado período, seja considerado inconveniente ou desnecessário (BRASI, 2000).
*OBS: Quanto ao referenciamento do projeto nascer: a regionalização do atendimento às gestantes visa proporcionar uma divisão eqüitativa no atendimento, no entanto, não tem o objetivo de cercear a livre escolha das pacientes (PROJETO NASCER, 1999 - mimeo).
2- a) Consulta da enfermeira:
Trabalho de parto.
Direitos trabalhistas.
Pressão arterial, peso,
avaliação das mamas.
Alimentação, estilo de vida no
pré-natal, hábitos e conhecimento de grupos alimentares bem como suas
quantidades.
Apresentação dos programas
existentes, como Floresce uma Vida, Meu Bem Querer, Projeto Nascer e
outros.
Promover a organização da
Unidade de Saúde em relação aos resultados de exames do pré-natal: checar
retorno, bem como resultados dos mesmos.
Estimular a equipe
multidisciplinar na implantação ou implementação de grupos educativos.
Observar a relação afetiva da
gestante e seu bebê.
No final da gestação, deverá
ser reforçado o retorno no puerpério para a consulta de enfermagem (em
torno de sete dias após o parto e com o Recém nascido). Agendar com o
enfermeiro, se possível, previamente.
Checar inserção e acompanhamento odontológico no "Projeto Meu Bem Querer".
*OBS: Bom senso, identificar e pontuar a realidade; se necessário agendar nova consulta.
b) Puerpério:
Agendar consulta médica para
40 dias.
Agendar consulta para
enfermeira na primeira semana após o parto.
Valorizar o chamado telefônico do programa Floresce uma Vida através das maternidades do SUS. Priorizando a visita domiciliar para planejar assistência à família o mais rápido possível.
Roteiro direcionado para consulta de enfermagem:
Conversar sobre o parto
atendo-se nas informações que forem necessárias (tipos, ocorrências,
etc.).
Exame físico da puérpera:
estado geral, observar lóquios (quantidade, característica e cor),
episiorrafia ou incisão cirúrgica - observar as condições. No caso de
cesárea, poderão ser retirados os pontos. Se dúvidas, dividir com a
equipe.
Orientar quanto ao aleitamento
materno: seguir protocolo do NALMA (Núcleo de Aleitamento Materno).
Quanto às mamas, observar
sinais de ingurgitamento, infecções, traumas mamilares (fissuras,
escoriações, dilacerações, etc.).
Orientar quanto à
anticoncepção durante a lactação. Referenciar para o trabalho de
planejamento familiar do local.
Orientar sobre os direitos
trabalhistas durante a lactação.
Realizar consulta de
enfermagem do Recém-nascido, esclarecendo as dúvidas (se possível) da mãe
naquele momento.
conforme o protocolo do
Programa da Criança.
Observar as relações afetivas da puérpera, bebê e demais membros da família.
*OBS: Todos estes procedimentos deverão ser anotados em ficha Hygia, do enfermeiro, devidamente recepcionado, que realizou o atendimento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BRASIL, Ministério da Saúde. Coordenação de Saúde Materno-Infantil. Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher - Assistência pré-natal. 3 ed. Brasília, Ministério da Saúde, 1997, 62p. (normas e manuais técnicos).
BRIENZA, A. M. Acesso ao Pré-Natal na rede básica de saúde do Município de Ribeirão Preto: análise da assistência recebida por um grupo de mulheres. Dissertação de mestrado apresentada à Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/ USP - Departamento Materno-Infantil e saúde pública, Ribeirão Preto, 2001.
RIBEIRÃO PRETO, Secretaria Municipal da Saúde. Projeto Nascer. Ribeirão Preto, SMS, 1999 (mimeo).
RRIBEIRÃO PRETO, Secretaria Municipal da Saúde. Protocolo de Assistência Pré-Natal, 1996 (mimeo).
SZEJER, M. Nove meses na vida da mulher. Uma abordagem psicanalítica da gravidez e do nascimento.São Paulo, casa do psicólogo, 1997.
Elaboração e Implementação:
Adriana Mafra Brienza
Emília Maria Paulina C.
Chayamiti
Lis Aparecida de Souza
Neves
Márcia Cristina Guerreiro
dos Reis
Maria Renata Gentil B.
Villela
Márcia Ferreira Frederico
DR. ARTHUR WATANABE